Por: Thaisa Nascimento, 16 anos.
No dia 14 de
outubro, iniciamos o módulo de Cultura no Programa Escola Livre. Falamos sobre
cultura erudita e popular e, a partir dessa conversa, conheceremos a cultura que
está no centro e em nossa região.
Visitamos o grupo Pagode da 27, que se reúne e se apresenta há 8 anos na
rua da 27 no bairro do Castro Alves. O Grupo tem participações ilustres e uma
platéia diversificada.
Vale
ressaltar que a linha de trabalho do grupo é o samba e tem o nome “Pagode da 27” por que no dicionário, o
significado de “pagode” é uma reunião de
amigos, e não gênero musical.
Para as
reuniões na comunidade, o grupo
conseguiu autorização da Prefeitura para
fechar a Rua 27 nos dias de domingos
e feriados, como rua de lazer.
As mensagens
que suas letras carregam, são temas do cotidiano, da periferia, seja de uma
vizinha fofoqueira, ou de um garoto que tem um sonho.
O grupo já teve oportunidade de se apresentar em diversas cidades, devido ao destaque
que vem adquirindo.
Para quem
vai a suas apresentações, eles pedem a colaboração de apenas um quilo de
alimento não perecível, para darem continuidade a ação social no qual
representam.
Nasceram na mesma época que o fundo de quintal, que passou a ser uma
influência, dentre Beth Carvalho e Zeca
Pagodinho...
Não imaginavam tamanho sucesso, até mesmo no exterior, mas se sentem
gratificados por saberem que a música tem esse poder de atingir tantas
pessoas, até mesmo o jogador Luisão que hoje joga no Portugal. Um dos
integrantes afirma que não sabe ao certo como chegou aos ouvidos do jogador,
mas, através da música, ganharam uma amizade e mais uma participação em suas
rodas de samba.
Começamos
a conversar com o Jeferson Santiago (32) e Ronaldo Brasil (30), ambos sem
formação acadêmica. Jeferson é integrante do grupo desde o inicio e Ronaldo
passou a ser integrante há 3 anos.
T.N: Como Surgiu a inciativa do “Pagode da 27”?
J.S: Não existiu uma iniciativa, sempre fizemos roda de samba, aqui no Grajaú e devido a essas rodas, percebemos que poderíamos montar um projeto pra trazer benefícios para a comunidade.
T.N: Temos um exemplo de sucesso na região que é o Criolo, e logicamente
o pagode da 27. O que representou para vocês se apresentarem em uma das maiores
emissoras brasileira de TV, a globo, no programa esquenta da Regina Casé?
J.N: Na verdade Criolo é amigo particular meu, devido termos crescido juntos.
E foi batendo um papo sobre música, ele no Hip-Hop e eu no samba, conversando sobre a correria do dia-a-dia eu o chamei ele pra visitar o projeto e participar, e ele se apaixonou e percebeu que aqui é um movimento cultural e social, e de lá pra cá, houve uma parceria muito bacana.
E na questão de se apresentar para o programa da Regina Casé, na globo. Isso foi uma coisa que nem pensávamos e nem tínhamos a pretensão, mas foi algo super natural.
T.N: Em meio a tantas conquistas, vocês têm outros objetivos a serem
alcançados?
J.N: Sempre tem objetivo, sempre temos. Como já te disse, não tínhamos a “pretensão” nem de gravar um disco e hoje já temos 2, já recebemos convite para gravar DVD e acho que o objetivo maior hoje é atingirmos o maior números de pessoas com nossas músicas e passar a mensagem que há em nossas letras.
J.N: Sempre tem objetivo, sempre temos. Como já te disse, não tínhamos a “pretensão” nem de gravar um disco e hoje já temos 2, já recebemos convite para gravar DVD e acho que o objetivo maior hoje é atingirmos o maior números de pessoas com nossas músicas e passar a mensagem que há em nossas letras.
T.N: Como a comunidade recebe o pagode da 27? Enxergam como uma cultura
popular? Respeitam e participam?
Para permanecerem unidos, os integrantes valorizam a lealdade e o respeito, pois acreditam que trabalhar em grupo é isso.
E para continuarmos com nossa entrevista, chegou mais um integrante, que é Ricardo Rabelo (39) . Músico e compositor do pagode da 27, um dos fundadores.
“É como se fosse assim: Quem são vocês?
Prazer, meu nome é o Pagode da 27” - Ricardo Rabelo
|
T.N Como vocês lidam com as críticas?
R. R: Toda crítica, desde que seja uma crítica construtiva pra gente é de grande valia, pois se vivêssemos só de elogios, automaticamente dá uma acomodada. Então as críticas servem para apontar os erros.
R. R: Toda crítica, desde que seja uma crítica construtiva pra gente é de grande valia, pois se vivêssemos só de elogios, automaticamente dá uma acomodada. Então as críticas servem para apontar os erros.
A gravação de um CD foi basicamente
à realização de um sonho, e as musicas que entraram é de autoria de pessoas da
região. E segundo Ricardo, é uma realização para o compositor, e para a
“quebrada”, e também como se fosse um cartão de visita.
| “Vamos fazer cultura, vamos fazer arte” - Ricardo Rabelo |
Além de abordarem o cotidiano em suas músicas, ainda passam uma mensagem
positiva por que se não há essa mensagem, automaticamente, o próprio povo
rejeita, pois são carentes de informação, carentes de cultura e então de certa
forma, se não há mensagens legais, o povo já deixa de lado.
Quando alguns compositores têm a vontade de apresentar seus trabalhos antes da roda de samba, eles trabalham com esses compositores para uma avaliação e até mesmo para um crescimento profissional do interessado.
Quando alguns compositores têm a vontade de apresentar seus trabalhos antes da roda de samba, eles trabalham com esses compositores para uma avaliação e até mesmo para um crescimento profissional do interessado.
Durante o bate papo, os demais jovens do Programa
Escola livre também interagiram com algumas perguntas.
Ricardo nos conta que eles já cantaram
para o Caetano Veloso em sua casa. Acrescentou que Caetano os elogiaram, pois é
para ele uma das melhores músicas que homenageiam São Paulo, a música é a “Pauliceia minha vida”.
Na festa de 8 anos, receberam a visita de 3 mil pessoas e conseguiram arrecadar em média 1 tonelada de alimentos, que
foi destinada a uma aldeia indígena que esta localizada em Parelheiros.
Simplesmente passam para a periferia o que aprenderam da periferia, um reflexo do que a comunidade produz e também do que ela ofereceu de apoio, e a presença dessas 3 mil pessoas foi muito significativo e mostra que eles são representados.
Rabelo nos acrescentou que são nada mais que agentes multiplicadores, aprenderam muito na periferia, e sente na obrigação de repassar suas bagagens. Até mesmo as coisas ruins, que nos fazem refletir para qual caminho a seguir.
Como prova de que a cultura pode partir da periferia, o grupo sempre é convidado para se apresentar em diversos espaços da cidade, como o SESC, livrarias Senac e FNAC e outros.Mas, ainda encontram preconceito, pois existem pessoas que deixam de ir ao Samba por se localizar em uma rua da periferia. Há o preconceito ou talvez o medo...
Texto:
Thaisa Nascimento
Entrevistas:
Thaisa Nascimento e Adriano Santos
Filmagens:
Israel Dantas e Valdeane Lima
Fotos:
Israel Dantas, Elisângela Duarte.
Participação:
Todos os jovens do Programa Escola Livre.
O bacana disso tudo, é aprendermos que não há culturas apenas nos centros, aqui nas margens aonde moramos, convivemos, podemos encontrar culturas com bastante valor, e que está sendo reconhecida não só pela comunidade.
ResponderExcluirÉ tão revigorante saber que pessoas que não foram criadas no luxo e na glória, podem contribuir para o crescimentos de nossa sociedade.